
A tradição começou com Manoel Caetano Madeira, homem negro que nasceu escravizado e viveu cerca de quarenta anos sob o regime da escravidão. Após a chamada liberdade, estabeleceu-se em Paraíba do Sul, no interior do Estado do Rio de Janeiro, onde passou a acender, todos os anos, uma fogueira no dia 29 de junho. Uma chama acesa há mais de 100 anos e que hoje ilumina centenas de crianças, adolescentes, jovens e famílias através da cultura, da educação, da solidariedade e da ancestralidade.
Em uma sociedade que criminalizava saberes, crenças e formas de organização da população negra, a fogueira permitia fortalecer vínculos comunitários, transmitir conhecimentos ancestrais e proteger identidades coletivas. Ao seu redor circulavam histórias, ensinamentos, afetos e formas de resistência que ajudaram gerações a manter vivas suas referências culturais. Por isso, a Fogueira de Xangô não representa apenas uma tradição familiar. Ela constitui um patrimônio vivo construído como estratégia de preservação da memória, afirmação da ancestralidade e continuidade cultural. Uma tecnologia ancestral que atravessou o tempo e chegou ao século XXI mantendo acesa a chama da resistência negra.
Quando Manoel Caetano Madeira faleceu, aos 105 anos de idade, a responsabilidade de manter a tradição passou para seu filho, Fausto Manoel Madeira. Mais tarde, ao migrar para Santa Cruz em busca de melhores condições de vida para sua família, ele levou consigo a chama simbólica daquela celebração.
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