Samba Que Elas Querem leva tributo à Beth Carvalho para Madureira

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O circuito 'Samba Que Elas Querem canta Beth Carvalho' chega ao Sesc Madureira no dia 12 de abril. No coração de um dos berços do samba carioca, o grupo feminino celebra o legado da eterna Madrinha do Samba, no ano em que completaria oitenta anos, com um espetáculo que exalta a resistência e a força das mulheres no gênero. A apresentação, que começa às 14h, une a nova geração de sambistas ao repertório imortalizado por uma das maiores vozes da música brasileira.

A curadoria do espetáculo mergulha em quatro décadas de discografia — de 1970 a 2011 —, destacando a conexão de Beth com sua escola do coração, a Estação Primeira de Mangueira, e o revolucionário Fundo de Quintal. Para as integrantes do coletivo, dar nova voz a esses clássicos é uma missão de reverência. “Beth Carvalho rompeu barreiras para nos lembrar que, para ser sambista, é preciso respeitar quem veio antes e frequentar seus lugares sagrados. Como ela dizia: ‘O samba é revolucionário e democrático, a roda é o lugar onde todos se igualam’”, afirma Silvia Duffrayer, cantora e percussionista do grupo.

A identificação com a obra da Madrinha não é recente. Desde sua fundação, em 2017, o Samba Que Elas Querem mantém a obra de Beth Carvalho como base de estudo e inspiração. Em 2018, o grupo esteve na residência de Beth, onde gravou um vídeo para as redes sociais ao som do clássico “Vou Festejar”, para a convocação de um ato em defesa da democracia. O episódio reforçou o uso do samba como ferramenta de denúncia e protesto em toda a carreira da artista, uma das vozes mais ativas das Diretas Já, movimento que lutava pela redemocratização do Brasil após a ditadura militar.

Esse processo agora amadurece em um show que atravessa épocas. “Toda roda de samba que fazemos é a hora perfeita para saudá-la, mas o marco de 80 anos nos motivou a criar este repertório especial, que viaja de Nelson Cavaquinho às obras contemporâneas que ela gravou”, explica Bárbara Guimarães, que assina o violão e a voz do Samba Que Elas Querem.

No palco, a dinâmica simula a atmosfera das rodas sagradas, fundindo o samba de raiz ao pagode de mesa sob a direção musical de Cecília Cruz. O clássico “Bar da Neguinha”, surge como o fio condutor dessa união entre ritmos e gerações. “Vamos convidar os baluartes da Mangueira para sentar à mesa com a gente e botar a galera pra sambar. É uma conexão que representa a conversa de gerações que o grupo se orgulha em prestigiar”, vibra Cecília, que também é cavaquinista do Samba Que Elas Querem.

Através da homenagem, o circuito visa fortalecer o protagonismo feminino no mercado fonográfico e na música popular brasileira. Ao ocupar palcos em diferentes regiões do estado, o Samba Que Elas Querem reafirma a atualidade da obra de Beth Carvalho e consolida o samba feito por mulheres como um espaço de técnica, preservação histórica e renovação cultural.

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