
Izzy Gordon se notabilizou por ser uma exímia intérprete de jazz. Essa notoriedade em um gênero jamais a excluiu de ser reconhecidamente versátil em diferentes estilos da música brasileira e agora ela traduz isso em seu novo projeto musical. A cantora acaba de lançar o álbum “Semente da Tamarineira”, composto por homenagem classuda aos clássicos do lendário sambista Jorge Aragão. O trabalho é o primeiro de três álbuns de uma trilogia que homenageará os grandes compositores surgidos no Cacique de Ramos. Para coroar o lançamento deste, que é um dos pilares do samba e figura central na música brasileira, a cantora realizará um show de lançamento no dia 10 de abril, no Sesc Pinheiros (SP), com a participação mais que especial de Ellen Oléria.
Mais do que um tributo, o álbum é uma imersão afetiva e espiritual. A escolha do repertório, que inclui pérolas da obra de Aragão, foi feita de forma colaborativa, com a participação do produtor musical Allan Abbadia, da diretora artística Jussara Sales, e do também produtor Eduardo Silva, sempre pensando no que melhor tocaria o coração de quem ouve.
Pérolas do repertório de Jorge Aragão surgem repaginadas com produção caprichada, sem jamais abandonar as peculiaridades que as tornaram um clássico. “Minta meu Sonho”, “Malandro”, “Coisa de Pele” e “Eu e você sempre” estão entre as faixas abrilhantadas com a voz de Izzy.
As faixas são adornadas pelas parcerias de Carica em “Coisa de Pele”, Bia Ferreira em “Malandro” e Ellen Oléria “Mutirão de Amor”.
O nome do disco remete à histórica tamarineira do Cacique de Ramos, árvore sob a qual Bira, membro fundador do Fundo de Quintal, compôs a canção que batiza o projeto. A metáfora se expande para o conceito do trabalho: uma homenagem que não apenas celebra o passado, mas também lança sementes para o futuro do samba.
A produção musical de Allan Abbadia, estudioso da diáspora africana e das matrizes rítmicas do candomblé, foi determinante para a sonoridade do disco.
A conexão com o sagrado também marcou o início do projeto. “Estávamos num centro espírita, cantando no Mutirão do Amor, quando recebemos o sinal: era por Jorge que deveríamos começar”, relembra Eduardo Silva. O próprio Jorge Aragão, ao receber a música “Lucidez”, primeira faixa gravada, respondeu com um gesto generoso: liberou todas as canções sem custos, após se emocionar com a versão.
O álbum também se afirma como um projeto político e artístico maior e alinhado à exaltação do protagonismo feminino negro na música. A concepção do álbum e do show dialoga diretamente com políticas de incentivo à cultura, com potencial de circulação em unidades do Sesc, centros culturais e festivais pelo país.
Além da apresentação no Sesc Pinheiros, o projeto prevê contrapartidas como bate-papos pós-show, oficinas, ações formativas e registros audiovisuais, reforçando o compromisso de Izzy.
O show no Sesc Pinheiros, com direção musical também de Allan Abbadia, trará as faixas do disco na íntegra, além de outras canções emblemáticas de Jorge Aragão.
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