Resenha da Nala comemora sucesso e completa 8 edições

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A Resenha da Nala completou 8 edições e o RRD Samba conversou com a Aline Santa Rita, fundadora do projeto pra saber como surgiu esse movimento.

RRD Samba:
Como começou a Resenha da Nala?

Aline Santa Rita: “Olha, tudo começa muito antes da primeira edição. Na verdade, começa na minha infância. Eu cresci ouvindo samba, aqueles discos que tocavam em casa, nos fins de semana, nos churrascos de família. Minha avó, minhas tias, as mulheres da minha vida sempre estiveram rodeadas de música. E essa semente ficou.

Quando completei 35 anos, fiz um samba para celebrar a vida. E naquele clima, veio um desejo meio doido, meio sonhado: que tal criar uma festa que parecesse um abraço? Um lugar onde as pessoas pudessem chegar e sentir como se estivessem na minha sala, na minha casa, acolhidas. Foi assim que a Resenha da Nala nasceu, sem nenhum plano estruturado, só com muita vontade e verdade.

Eu queria algo diferente, que pudesse passar uma experiência afetiva, que guardasse memórias boas. Queria receber um público de várias gerações, especialmente o nosso povo preto, num ambiente seguro, bonito, leve. Fiz um estudo rápido de território e escolhi a Zona Norte de São Paulo para estrear, porque senti que ali tinha uma fome por samba com afeto. Achava que viriam umas 250 pessoas. No dia, bateram 700. Ver nosso povo ali, as crianças correndo felizes, todo mundo se sentindo em casa… ali eu entendi: isso é maior do que eu. E desde então, a Resenha só cresce, de forma orgânica, emocionante, exponencial.”

RRD Samba: E como é ser mulher empreendendo no samba?

Aline Santa Rita: “O maior desafio é, sim, ser mulher. E isso vem antes mesmo de qualquer pauta de gênero ou raça, embora elas me atravessem profundamente. O samba e o pagode ainda são territórios de protagonismo masculino. E abrir espaço sozinha, como mulher preta, tocando um projeto independente, é um exercício diário de resistência, força e fé.

A Resenha da Nala é forjada por mim, com minhas mãos, minha cabeça, meu coração. Mas também é sustentada por algo maior: minha família, minha ancestralidade. Porque essa resenha também conta a história de mulheres que vieram antes de mim, daquelas que cantarolavam samba enquanto cozinhavam, enquanto criavam seus filhos, enquanto resistiam. É por isso que eu quero que mais mulheres ocupem a cena do samba. A gente precisa uma das outras. E hoje, felizmente, eu não estou só. Ao meu lado, tenho meu marido, que é meu sócio, meu parceiro de vida e de sonho. Juntos, a gente tá estruturando algo que vai ser grande.”

RRD Samba: E essa mistura de artistas atuais com o samba, o que traz pra Resenha?

Aline Santa Rita: “Essa mistura é a nossa cara, é a nossa identidade. A Resenha da Nala não é só um evento, é um encontro de gerações. O público chega e encontra oito horas de música ininterrupta, com um line-up que reúne artistas que atravessam o tempo e o gosto de todo mundo. A gente já teve Luedji Luna, Jota.Pê, Liniker, tudo junto, no mesmo palco, com um ingresso que cabe no bolso.

Onde mais em São Paulo você vê isso? Um evento de alto nível, com público premium, mas com a alma de uma resenha de quintal. É a minha infância encontrando o agora. É o samba encontrando a nova MPB. É a vó e o neto cantando junto. É sobre isso: criar memória afetiva coletiva.

Hoje a Resenha já roda por São Paulo, mas meu sonho é levar esse abraço musical para outros lugares. Quero muito fazer edições no Rio de Janeiro, em Salvador, em Minas Gerais. Porque o samba é nosso, é de todo canto, e a Resenha da Nala quer estar onde o povo preto está, onde a música pulsa, onde a alma se sente em casa.”

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