
O que Kell Smith faz no palco com “Latino-Americana a Turnê” é um ato de resgate. Em um tempo de canções descartáveis e palcos genéricos, ela nos lembra que um show pode ser mais. Que ele deve ser mais. Não é sobre ver uma artista cantar, mas sobre sentir, junto com ela, o peso e a delícia de ser brasileiro.
O show de abertura será com o cantor e compositor Joey Mattos, autor do hit Samba da Zenaide, música que virou um hino sobre a violência contra a mulher na voz da Kell.
O espetáculo é uma aula de como traçar uma trajetória, a da artista e a nossa. Quando Kell, uma mulher autista que cresceu sem endereço fixo, canta “Era Uma Vez”, a canção ganha uma nova camada de verdade. Quando ela homenageia Gal Costa e Elis Regina, não é um cover; é um agradecimento, uma filha que honra a linhagem. E quando ela traz um artista local para o palco, o recado é claro: a Música Brasileira não está no museu, está viva, pulsando em cada canto do país.
“Latino-Americana a Turnê” não é um show para quem só ama a Música Brasileira. É um show para quem precisa dela. Para quem acredita que uma canção pode, sim, mudar o dia, a vida, o mundo. É a prova de que a arte, quando é de verdade, não é entretenimento. É necessidade. Não vá esperando apenas um bom show. Vá esperando sair diferente. E vá logo.
A imagem é de Pablo Grotto.
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