
Celebrando seus 20 anos, a escola de samba Embaixadores da Alegria vai para a Marquês de Sapucaí este ano ocupando corações e mentes. O conceito de evolução, no caso da Embaixadores, vai além do que se costuma avaliar como a passagem dos integrantes pela Avenida. Trata-se de uma mudança de mentalidade, como ressalta o cofundador da primeira escola de samba para pessoas com deficiência do mundo, Caio Leitão: “Acessibilidade é linguagem artística, inteligência coletiva e expansão de repertório cultural. A diversidade não é pauta identitária, mas potência criativa de transformação. E a inclusão não é concessão — é direito cultural e expressão plena de cidadania.
Fundada em 2006, a Embaixadores nasceu num período em que a acessibilidade ainda era tratada como exceção, adaptação ou custo. Em 2026, ao completar 20 anos, a Embaixadores da Alegria celebra sua trajetória com um marco histórico: o 18º desfile acessível consecutivo na Marquês de Sapucaí. Uma continuidade que ajudou a transformar o carnaval do Rio de Janeiro no mais acessível do planeta, em parceria com a Liesa e Prefeitura do Rio de Janeiro — um feito sem precedentes na cultura brasileira e ainda Incomum no cenário internacional.
Caio lembra de cada detalhe marcante como se costurasse um fantasia – que é real! Como não se emocionar com Dudu, que chegou praticamente sem falar aos primeiros ensaios da Embaixadores da Alegria. Foi conquistando a todos e sendo conquistado. Acabou sendo o primeiro porta-bandeira com síndrome de Down do carnaval.
Como em todo desfile de escola de samba, imprevistos acontecem. Caio conta que a cadeira de rodas de um menino quebrou minutos antes do desfile. A escola se mobilizou pedindo ajuda a bombeiros, Liesa.
O samba-enredo “20 anos de alegria abrindo alas para a diversidade”, assinado por Pretinho da Serrinha e Fred Camacho, não é apenas trilha sonora.
A Embaixadores da Alegria construiu, ao longo dos anos, um jeito próprio: carros alegóricos integralmente acessíveis, alas inéditas, intérpretes em Libras “cantando” o samba na Sapucaí, rainha de bateria com síndrome de Down, mestres-sala e porta-bandeiras com e sem deficiência, desfiles com cão-guia em meio às alas.
Mas a história da Embaixadores não se limita ao carnaval. Ela se projeta sobre a cidade.
Projetos como a Wheelchair Parade, criada para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, reposicionaram o Rio de Janeiro no mapa das cidades que incluem a acessibilidade como ocupação simbólica do espaço urbano, expressão artística e afirmação de identidade. A primeira exposição de cadeiras de rodas do mundo ao ar livre, instalada ao lado do Museu do Amanhã, vista por quase um milhão de pessoas, não falava sobre limitação — falava sobre mobilidade, autonomia e design social.
Com o Festival O Que Move Você?, realizado na Cidade das Artes, e que terá a segunda edição, gratuita, nos dias 11 e 12 de abril, a Embaixadores amplia ainda mais seu campo de atuação: música, arte contemporânea, pensamento crítico e formação de público se encontram para discutir, na prática, o protagonismo da pessoa com deficiência. Um festival onde a diferença faz a diferença. Onde o capacitismo perde força diante da convivência, do profissionalismo, da capacidade artística e da ajuda coletiva.
A escola já impactou diretamente mais de 21 mil pessoas, entre participantes, famílias, artistas e profissionais da cultura. O décimo-oitavo desfile acessível da Embaixadores da Alegria é apresentado por Volkswagen Caminhões & Ônibus, patrocínios de Rio Brasil Terminal, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa, por meio do Edital Folia RJ 2026, apoios da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, RioTur e Liesa.
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