
Rio ganhou um novo ritual de fim de ano com o Natal do Rio e ilumina a Enseada de Botafogo. A primeira edição do projeto transforma um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade em um espaço de celebração, cultura e encontros. O Rio de Janeiro inaugurou oficialmente, no último domingo (30), um novo símbolo das festas de fim de ano: o Natal do Rio, na Enseada de Botafogo. Mais de 100 mil pessoas acompanharam a cerimônia de abertura, marcada pelo acendimento da árvore flutuante de 80 metros, iluminada por mais de 2,3 milhões de luzes de LED, em um espetáculo gratuito que emocionou cariocas e turistas diante do cenário deslumbrante da enseada.
Uma agenda genuinamente brasileira, que mistura música, cultura, infância, dança e celebração, do samba ao forró, da orquestra à contação de histórias, garantindo a atmosfera festiva até o início do novo ano.
Idealizado com direção criativa de Abel Gomes (SRCOM) e realizado por Alexandre Accioly, da Accioly Participações, o projeto transformou a orla em um amplo espaço de convivência, arte e celebração. A noite de estreia contou com um show pirotécnico sincronizado ao acendimento da árvore e uma programação musical que exaltou a força da cultura brasileira. O ponto alto foi a apresentação da Orquestra do Samba, conduzida por Pretinho da Serrinha, que recebeu Belo e Raquell Luz como convidados especiais.
A festa continua: neste sábado - dia 6
Com Nego Alvaro
Com três álbuns lançados e duas indicações ao Grammy Latino, é um sambista carioca de alma inteira: cantor, compositor e percussionista que carrega no corpo e na voz a força das tradições que o formaram. Nego Alvaro é a síntese da força suburbana que moldou o samba carioca contemporâneo. Nascido Alvaro dos Santos Carneiro, em 1º de novembro de 1988, na favela do Catiri, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, cresceu entre tambores, ruas de chão quente e rodas que respiravam ancestralidade. Aos dez anos, ganhou seu primeiro pandeiro, presente que mudaria para sempre seu destino. Três anos depois, já frequentava o Pagode da Tia Doca; aos 15, iniciava sua trajetória profissional no Pagode da Tia Ciça, em Irajá, mergulhando no universo do samba com uma maturidade rara para a idade.
Fruto legítimo das rodas que moldam o samba carioca, ele viveu cinco anos sob as bênçãos da sagrada tamarineira do Cacique de Ramos (2008–2013), território sagrado do samba onde aprendeu, observou e partilhou cantos ao lado de mestres. Foi também músico da Madrinha do Samba, Beth Carvalho, com quem dividiu a canção “Ainda é Tempo Pra Ser Feliz” em um dueto que emocionou plateias por onde passaram. Sua presença marcante o levou a integrar, por 14 anos, o Samba do Trabalhador, grupo comandado por Moacyr Luz e reconhecido como uma das rodas mais importantes e influentes do Rio. Ali, Nego Alvaro firmou sua identidade musical, participou de gravações históricas e viveu o ambiente que consagrou grandes talentos do gênero.
Em 2016, lançou seu primeiro álbum solo, Cria do Samba, produzido por Pretinho da Serrinha e com participações de Mart’nalia, Moacyr Luz e Sereno do Fundo de Quintal. Depois vieram Nego Alvaro canta Sereno e Moa (2018) e Bons Ventos (2021), trabalho que lhe rendeu suas indicações ao Grammy Latino e consolidou sua posição no cenário contemporâneo. O reconhecimento internacional também passou pelos grandes palcos: Nego Alvaro brilhou no Palco Mundo do Rock in Rio ao lado da artista internacional Alicia Keys, numa apresentação que ampliou sua projeção para além das fronteiras brasileiras.
Com músicas gravadas por nomes como Diogo Nogueira, Maria Rita, Roberta Sá, Pretinho da Serrinha, Moacyr Luz, Arlindo Cruz e tantos outros, Nego Alvaro segue hoje dedicado à sua carreira solo, já sólida e em plena ascensão, reafirmando que o samba, em todas as suas formas, é o território onde ele floresce, cria e transforma. No Natal do Rio, traz clássicos como “O show tem que continuar”; “Não deixe o Samba morrer”; “Disritmia”; “Seu Balancê”; “Clareou”, mesclando com sambas autorais e de grandes artistas
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