
“É difícil colocar em palavras tudo o que estou vivendo este ano. Estar na Times Square e realizar todos os projetos que venho trabalhando esse ano, não é só sobre mim, ou a minha arte, é sobre todas nós, pessoas pretas de periferia, que temos um sonho e um histórico de muita luta e resistência para conquistá-lo”, afirmou o cantor.
Ao celebrar o 20 de novembro, Renan destaca o papel central dos artistas negros na construção da identidade musical do país — especialmente no samba e no pagode, gêneros que carregam raízes profundas da cultura afro-brasileira. “Artistas negros inspiraram músicas por gerações em todos os gêneros, para mim, em especial no samba. A cultura negra exerce também uma influência profunda e fundamental no pagode, tanto no que se refere à sonoridade quanto à identidade. Este é o meu movimento e me sinto muito honrado em poder mostrar para o mundo esse gênero que represento com tanto orgulho”, reflete.
O cantor lembra ainda que o pagode nasceu de celebrações comunitárias, encontros e vivências diretamente conectadas à história negra no Brasil — e que muitas dessas composições sempre trouxeram críticas sociais necessárias. “Muito além da música, a cultura afro-brasileira também molda a forma como o pagode é vivenciado e percebido, com suas raízes em festas e celebrações comunitárias, muitas das vezes trazendo também questões sociais importantes para as letras das canções. Como quando Jorge Aragão, por exemplo, canta ‘Se preto de alma branca pra você. É o exemplo da dignidade. Não nos ajuda, só nos faz sofrer. Nem resgata nossa identidade’”, relembra Renan.
Aos 30 anos, nascido e criado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Renan Oliveira segue consolidando seu nome na música popular brasileira e fortalecendo a label “Os Pagodes Que A Gente Gosta”. Mais do que um destaque do pagode atual, ele se reafirma como uma voz que celebra, honra e reivindica a história negra que molda a cultura do país.
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