Helena Theodoro ministra curso gratuito sobre filosofias ancestrais, literatura e carnaval no Rio

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O que a filosofia africana tem a ver com o samba e o carnaval? E como a literatura pode ajudar a compreender as relações entre ancestralidade, memória, oralidade e cultura popular brasileira? Essas são algumas das questões que serão abordadas no curso gratuito “Filosofias Ancestrais, Literatura e as Artes do Carnaval”, ministrado pela escritora, pesquisadora e filósofa Helena Theodoro, primeira mulher negra a obter o título de doutora em Filosofia no Brasil.

O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Literatura do Rio ao RJ, e será realizado de 21 a 25 de setembro, das 13h às 17h, na Biblioteca Parque Estadual, no Centro do Rio. A formação terá 20 horas de duração, distribuídas em cinco encontros presenciais, e contará com 30 vagas gratuitas.

Com uma proposta interdisciplinar, o curso aproxima conhecimentos e manifestações que fazem parte da formação cultural brasileira, estabelecendo relações entre filosofia, literatura, ancestralidade, memória, oralidade, teatro, samba e carnaval. A iniciativa é voltada a estudantes, professores, pesquisadores, artistas, profissionais e agentes culturais, além de pessoas interessadas nas áreas de cultura afro-brasileira, patrimônio, memória e cultura popular.

Um dos eixos da formação será dedicado às filosofias africanas no Brasil, abordando referências das tradições bantu, nagô e jeje, além de temas como cosmologia nagô, ancestralidade, axé, oralidade e transmissão de saberes. A proposta parte do reconhecimento de que esses conhecimentos também estão presentes nas manifestações culturais brasileiras, embora muitas vezes tenham sido historicamente afastados dos espaços formais de produção e transmissão do conhecimento.

No segundo módulo, dedicado a samba e carnaval, Helena estabelecerá relações entre literatura, narrativas carnavalescas, figurinos, alegorias e processos criativos das escolas de samba. Entre os estudos de caso estão Os Sertões, de Euclides da Cunha, obra que inspirou o histórico desfile da Em Cima da Hora em 1976, e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, que esteve na base do enredo apresentado pela Portela em 2024.

A formação também abordará o musical Martinho, Coração de Rei, relacionado à obra Reflexos no Espelho, de Martinho da Vila. Os encontros contarão ainda com a participação de Samuel Abrantes e Verônica de Araújo Costa, convidados para ampliar as discussões sobre memória, pesquisa, literatura, estética e carnaval.

A trajetória de Helena Theodoro acrescenta outra dimensão à proposta. Além de sua atuação como escritora e pesquisadora das culturas afro-brasileiras, ela mantém uma relação histórica com o carnaval carioca e atuou durante mais de duas décadas como jurada do Estandarte de Ouro, tradicional premiação dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Ao levar essa discussão para uma biblioteca pública e oferecer participação gratuita, o projeto também busca ampliar o acesso à produção de conhecimento sobre cultura afro-brasileira e aproximar diferentes públicos de debates sobre ancestralidade, identidade, memória e cultura popular.

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